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Ambiental Transportes: Conectando Trólebus Antigos em Nova Rede

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Com todos os 175 ônibus expostos na 12ª BusBrasil Fest, é difícil saber o que mais atraiu a atenção do público nesta edição, sobretudo para os paulistanos que vivenciaram os últimos 20 anos do transporte na capital paulista. Graças ao empenho da equipe do Portal do Ônibus, a um fã do sistema de Trólebus, Samuel Tuzi e a Ambiental Transportes, dois grandes modelos que fizeram parte da frota dos trólebus marcaram presença na exposição: os Torinos GV (Geração 5) sendo um Padron e um Articulado, ambos trólebus.

Texto: Victor Santos e Antonio Marcos Morais Junior
Revisão: Dorival Nunes Bezerra

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68 7577 apresentado na 12ª BusBrasil Fest pela Ambiental Transportes

Esses dois trólebus fizeram com que muitos antigos passageiros relembrassem das linhas da zona sul e oeste operando com trólebus, dos trólebus em direção ao Tucuruvi e região norte ou do saudoso Circular Central.

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Reformado pela Ambiental Transportes, o 68 8000 foi exposto pela SPTrans na 12ª BusBrasil Fest

A Ambiental Transportes Urbanos assumiu o sistema de trólebus da capital paulista em 2012 e foi muito audaciosa: fez a segunda maior aquisição de trólebus 0 km do Brasil para substituir os trólebus Torino GV que pertenciam à frota pública. Logo após ser dada

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Foto com os trólebus reformados e o mais moderno trólebus da Ambiental que possuí baterias

a baixa de todos Torino GV, a Ambiental arrematou um deles o 4 1568 (7577) num leilão e transformou-o em sala de aula e veículo de treinamento para formação de novos condutores de trólebus. Após esse processo, em 2016, o trólebus foi encostado e permaneceu assim até setembro de 2018.

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4 1568 baixado em 2008 pela Himalaia Transportes

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Em 2012 a Ambiental arremata o 4 1568 em um leilão da SPTrans

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Recebeu prefixo 700 e foi transformando em veículo de treinamento para formação de novos condutores de trólebus

A Ambiental pretendia vender e desmanchar o trólebus, uma vez que ele não tinha mais utilidade. Mas, por saber que o veiculo estava ainda em condições de uso, o Portal do Ônibus, representado por Juverci de Melo, solicitou à empresa que o veículo fosse exposto ao público na 12° edição da BusBrasil Fest por ser (naquela época) o único Torino GV trólebus da cidade em tais condições. Após uma análise da explicação dada por Juverci, o convite foi prontamente aceito pelo Gerente de Manutenção, Antonio Soares e comentou que o veículo seria totalmente reformado para ser exposto.

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Com a formação dos condutores concluída, o veículo ficou parado no pátio da empresa que tinha intenção de vender para sucata

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Com o pedido do Portal do Ônibus feito à Ambiental para expor o 700 na 12ª BusBrasil Fest, o veículo passa por uma reforma.

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Após muita conversa, a Ambiental acatou o projeto apresentado pelo Portal do Ônibus e Samuel Tuzi em restaurar as características externa originais (pintura, prefixo e itinerário) dos anos 90

Após o anúncio da reforma, Juverci e Samuel resolveram apresentar um projeto com as características externas originais (pintura branca com faixa vermelha e o prefixo original). Como o processo de reforma estava no início, Antonio acatou o projeto e trouxe de volta o 68 7577.

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O 700 volta a ser novamente o 68 7577 após concluir a reforma.

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Para completar a restauração, Samuel Tuzi doa para empresa as Lonas dos itinerários originais que tinha comprado de um desmanche

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68 7577 foi um dos veículos mais visitado na 12ª BBF

Outro veículo também restaurado pela Ambiental e exposto pela SPTrans foi o Marcopolo Torino GV, prefixo 68 8000, com chassi Volvo, modelo B58 e componentes elétricos da GEVISA. Sua peculiaridade refere-se ao fato de ser um trólebus articulado, veículo de característica rara na capital paulista.

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Antes de ser baixado para reforma em 1996, o 8000, tinha carroceria da CAIO modelo Padron Amélia II e era operado pela Viação Santo Amaro 

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Ao voltar da reforma em 1998, o 8000 recebeu a carroceria da Marcopolo modelo Torino GV e passou a ser operado pela Eletrobus

No sistema interligado o 8000 utilizou o prefixo 4 1486

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Foto em 2012 do 4 1486 quando foi baixado pela Ambiental e pronto para ser devolvido a SPTrans

O trólebus foi então preservado pela SPTrans e guardado em um galpão no complexo Santa Rita, devido ao seu valor histórico.

Conhecedores das características e do valor histórico do veículo, o Portal do Ônibus insistiu por muito tempo que se reformasse este trólebus e que o expusesse junto com os demais (mesmo sabendo que as coisas não são tão simples quanto parecem). E, um dia, em uma das reuniões de organização da BusBrasil Fest, a SPTrans acenou de forma positiva em relação a tal solicitação e aí um novo projeto para manter as características originais foi elaborado pelo Portal do ônibus e em parceria com a Ambiental iniciaram as negociações para a reforma.

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Depois de 6 anos parado no galpão da SPTrans, o 4 1486 volta a garagem da Ambiental para iniciar o processo de restauração.

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Ao tomar conhecimento da proposta e do valor histórico do veículo, os funcionários da Ambiental não mediram esforços no processo de reforma desse ícone no transporte da cidade.  Os próprios funcionários da empresa não acreditavam que esse veículo estava ganhando vida novamente.

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Início do processo de restauração do 8000 para ser apresentado na 12ª BBF

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O 8000 recebe as cores orginais na década de 90

O Portal do Ônibus junto com o fã número 1 do carro, Samuel Tuzi, acompanharam de perto todos os passos de restauração do veículo, inclusive foi criado pelo Portal do Ônibus toda a diagramação da planta de pintura, logotipos, letreiros, etc. Todo o esforço valeu a pena e o ônibus foi um dos diversos destaques da exposição.

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Todo o projeto de artes e planta de pintura é desenvolvida pelo Portal do Ônibus, sem esquecer nenhum detalhe.

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Momento que o 4 1486 receber novamente o prefixo original dos anos 90, 68 8000

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Todos os detalhes foram acompanhados pelo Samuel Tuzi e o Portal do Ônibus

Essas duas relíquias ficarão marcadas para sempre na história dos transportes de São Paulo e dos trólebus. Representaram a modernidade da época em que foram fabricadas e sempre terão sua história preservada pelos busólogos que manterão vivas as memórias do ônibus.

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Para completar, Samuel Tuzi também faz a doação dos letreiro de lona na época que o veículo operou no sistema interligado

Os agradecimentos, portanto, ao sucesso de mais essa edição da BusBrasil Fest devem extender-se, obrigatoriamente, ao empenho da Ambiental Transportes na restauração e no apoio incondicional na realização da mesma. Se a Ambiental não houvesse aderido à essa “loucura” de reformar o que maioria das pessoas consideraria apenas um descarte, com toda certeza não abrilhantaria tanto essa edição.

Saiba mais sobre essas duas relíquias.

Veículo 68 7577 – Marcopolo Torino GV Scania BR116

Em meados dos anos 1970, foi elaborado pelo governo federal um enorme e abrangente plano de expansão dos sistemas de trólebus nas grandes cidades brasileiras. Chamado de “Plano SISTRAN”, o projeto logo foi aderido pela cidade que, naquele momento, mais necessitava de planos concretos de expansão de transporte público no país: São Paulo. A CMTC (Companhia Municipal de Transporte Coletivo de São Paulo), empresa pública que geria e operava o sistema de ônibus da capital, acatou as minucias do projeto, e começou um audacioso plano de expansão da rede de trólebus e, consequentemente, a adesão de mais veículos para sua operação. Determinado momento dessa expansão, foram adquiridos 200 trólebus fabricados por um consórcio composto por Ciferal, Scania e Tectronic, que venceu a primeira fase da licitação. Dentre esses 200 trólebus, modelo Padron Amazonas, Chassis Scania BR116 estava o 7123, o protagonista dessa história.

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Originalmente o 68 7577 tinha carroceria da Ciferal modelo Padron Amazonas e o prefixo 7123 na época da CMTC

Nos anos 90, com a privatização da CMTC, diversas empresas assumiram a frota pública e as garagens que outrora perteceram à CMTC. Uma das primeiras ações das empresas foi a reforma de toda frota de trólebus e o reencarroçamento de 290 veículos. Dessa forma, todos os trólebus em suas antigas carrocerias deram lugar ao Marcopolo Torino GV, continuando apenas com o mesmo chassi da Scania e sistemas eletrônicos da Tectronic. Um dos reencarroçados foi o 7123 (recebeu novo prefixo após a reforma, 68 7577)e operou na Eletrobus entre 1996 e 2001. Depois, foi repassado para as empresas que assumiram as linhas da extinta Eletrobus, recebendo o prefixo 4 1568 no auge da decadência dos trólebus no inicio dos anos 2000, quando boa parte do sistema foi sucateado e desativado. 

O 68 7577 operou comercialmente até 2008 e foi utilizado por diversas empresas que assumiram a operação da Garagem Tatuapé da CMTC após o fim da Eletrobus, como Expresso Paulistano, Viação Capital, SP Bus Transportes Urbanos, TRANSPPASS – Transporte de Passageiros e Himalaia Transportes.

 

Veículo 68 8000 – Marcopolo Torino GV Volvo B58 Articulado.

Ainda seguindo o Projeto SISTRAN, em 1985 foram entregues os protótipos dos trólebus articulados para a CMTC. Os primeiros deles foram um CAIO Padron Amélia II com chassis Volvo B58 Articulado e um Marcopolo San Remo II, sobre chassis Scania S-112 AL. Curiosamente, por mais audacioso que fosse o projeto SISTRAN e por mais que a CMTC tivesse mergulhado de cabeça nele, esses veículos foram os únicos entregues de um cronograma que previa mais de 400 trólebus articulados.

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O 8000 na época da CMTC tinha carroceria Padron Amélia II da CAIO com a pintura branca e azul.

Assim como o 7123, o 8000 ganhou essa numeração em sua chegada, e sobreviveu à todos os altos e baixos do sistema de trólebus na capital, sendo inclusive reformado junto de todos os outros trólebus da garagem Tatuapé da CMTC durante a Municipalização. A curiosidade é que o 8000 não pertencia à garagem Tatuapé da, então, extinta CMTC. Quando foi reformado esse carro compunha a frota da Viação Santo Amaro, empresa que assumiu o controle da garagem Santo Amaro da CMTC à época. Após reformado, em 1997, era o único veículo com padrão de operação “Fura-Fila”, projeto fracassado de corredor de passagem rápida de ônibus da gestão Celso Pitta, sendo o primeiro veículo do transporte público urbano da capital paulista a conter ar condicionado, vidros colados, portas do lado esquerdo elevadas, dispositivo que impede o movimento com as portas abertas e muitos outros itens que passaram a ser obrigatórias apenas no final do ano de 2014.

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Após a reforma dos trólebus, o 8000 recebeu todas as característica técnica do projeto VLP

O 8000 operou comercialmente até 2012, recebendo outras numerações durante sua vida útil, e encerrou suas atividades compondo a frota da Ambiental Transportes. O veículo foi devolvido à prefeitura de São Paulo, como toda a frota pública. Em geral, os veículos da frota pública da prefeitura costumam ser leiloados e arrematados como sucata. Mas devido ao apelo popular e ao cunho histórico inestimável desse trólebus, a prefeitura optou por guarda-lo e restaura-lo posteriormente para compor o acervo histórico da SPTrans. Porém, com a proximidade da BBF, a Ambiental Transportes e a SPTrans trabalhariam em parceria: A Ambiental restauraria o carro e ele seria exposto pela SPTrans, como um item “surpresa” do evento. Os visitantes agradecem.

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O 8000 foi um grande surpresa para muito visitantes na 12ª BBF

O veículo foi então devolvido à prefeitura, e hoje aguarda realocação de espaço no Museu do Transporte Público  - Gaetano Ferolla para contar a riquíssima história do transporte paulistano para todas as futuras gerações.

Conheça as pessoas que se empenharam para resgate dessa hitória

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João Vanderley (Guincho) e equipe de limpeza

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Instrutor Renato Tezoto

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Equipe de funilaria - José Roberto e Hélio Jesus 

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Equipe de eletricista - Rafael Pardim e Ednaldo da Silva

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Equipe de componentes eletrônicos - José Roberto Marcheto e José Vlademir Fazolim

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Madeira (Encarregado Funilaria e Pintura), Antonio Soares (Gerente da Manutenção) e Gilberto Silva (Chefe de Manutenção Trólebus)