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Conectando Caminhos e Histórias Entre Dois Pontos

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Após um longo tempo sem uma publicação efetiva, o Portal do Ônibus retoma suas atividades no âmbito daquilo que se propõe a desenvolver. Nosso afastamento se deve, em parte, a um período de férias (janeiro) e, quando pensamos em retornar, em fevereiro, obervando o noticiário, já estávamos sendo alertados de uma possível epidemia - termo usado no início - que assolava o outro lado do mundo. Não nos restava outra alternativa a não ser, aguardar. Na ocasião, já tínhamos três encontros confirmados com empresas para a realização da BusBrasil Tour (a atividade que consiste numa visita a uma garagem, com um grupo de admiradores de ônibus (número máximo de 40 pessoas) para conhecer de perto a logística interna e o processo operacional da empresa visitada). Porém, atentos às análises e avaliações da situação e depois da confirmação do 1º caso, conscientes da rapidez do processo de contaminação, não nos restava senão atender, de pronto, às recomendações da OMS.

Texto: Dorival Nunes Bezerra

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Embora as empresas de ônibus tenham seguido com frota reduzida, não podíamos desenvolver parte de nossas atividades porque não era (é) permitida aglomeração. Enquanto aguardávamos a atualização da situação a partir das análises feitas diariamente (no início) pelo Ministério da Saúde, avaliávamos se não seria interessante fazer algo em plataforma digital (possibilidade que já havíamos cogitada pouco antes da última BBF), como a maioria estava fazendo. Paralelamente a isso, traçamos e consolidamos outros projetos que já havíamos pensado em outros momentos (anteriores à pandemia, inclusive) e alguns dos quais já tínhamos feito making off.

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A BBF é uma grande oportunidade para os profissionais do setor trocarem experiência e conhecer a evolução da sua ferramenta de trabalho.

Depois de algumas discussões, consolidações e delegações de tarefas para a equipe, optamos por fazer nosso retorno, conscientemente, no dia 25 de julho, em virtude de uma importante comemoração relacionada a esta data. Sim, o dia de um dos profissionais mais importantes do setor de transporte: o motorista.

Já há alguns anos, o Portal do Ônibus presta homenagem a ele (a) porque reconhece o seu grandioso valor e tem plena consciência das dificuldades de se conduzir um veículo numa grande metrópole como São Paulo. Sabe que ser motorista é lidar com uma variedade de conflitos, não apenas de infraestrutura das ruas e/ou estradas por onde passa, frequentes problemas no trânsito, mas também de ordem física, emocional e mental. Lidar com a diversidade de situações as quais se expõe diariamente (dentre as quais as características peculiares de cada pessoa, o humor, estado emocional dos usuários abalado por “n” motivos de todas as ordens) causa-lhe um desgaste emocional muito grande, e ainda assim, ele transporta a todos com segurança e responsabilidade para os seus mais diversos compromissos, nos mais variados pontos da cidade.

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E dependendo da cidade, tudo isso se agrava ainda mais, pois o motorista precisa dirigir, cobrar, abrir portas, liberar catraca, embarcar e desembarcar portadores de necessidades especiais, dar informações sobre itinerário de sua linha, (às vezes, de outras linhas de outras empresas), fazer o “ponto cego enxergar” pra perceber motoqueiros, carros ou pessoas que surgem de todos os lados a todo momento nas vias ou nos pontos de parada, em terminais que não controlam o acesso à plataformas, enfim... Dar conta de toda esta complexidade, diariamente, realmente não deve ser nada fácil. Mas o melhor de tudo é saber disso: apesar de todas as adversidades possíveis encontradas durante a realização de seu trabalho, muito deles se orgulham e sentem um enorme prazer no que fazem.  E para demonstrar isso, selecionamos alguns motoristas para contar um pouco da trajetória de sua história. Embarquemos, então, nestas narrativas...


Marco Aurélio Paes

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Natural de Apucarana (Paraná), 46 anos, casado, pai de 2 filhos, tem nível superior completo (Letras – licenciatura Português/Espanhol). Atualmente mora em Curitiba. É instrutor de motoristas há 18 anos. Sua primeira experiência profissional foi como mensageiro de hotel. Esteve nesta função por 5 meses. E foi ali, observando os ônibus de turismo que traziam os hóspedes onde nasceu sua paixão por este veículo. Depois, trabalhou por 8 anos como instrutor de autoescola. Nesse mesmo período, foi aluno da Facel (Faculdade de Administração, Ciências, Educação e Letras do Paraná) onde cursou Letras, pois precisava do nível superior para conseguir uma vaga como árbitro da CBF (Confederação Brasileira de Futebol ). Marco pertenceu ao quadro estadual de arbitragem por 9 anos; pelo quadro brasileiro, por 3. Mas, o tempo passou e ele decidiu abrir mão de tudo isso (tanto da autoescola como da arbitragem) para finalmente realizar seu sonho de criança: ser motorista de ônibus. “Na minha família não há motoristas profissionais. A paixão por ônibus nasceu quando criança, desde o tempo em que eu era passageiro dos saudosos Caio Gabriela, Scania 110/111, Incasel Cisne, Haragano Expresso. Sempre viajei na frente, observando o motorista e sonhando em estar no lugar dele”.  Ingressou na CCD Transporte Coletivo, em Curitiba, como motorista e depois de 1 ano, foi promovido para instrutor. Desempenhou esta função por 8 anos. Concomitantemente,  abriu uma microempresa de treinamento de motoristas e formação de instrutores (TREINABUS), na qual ministrou treinamentos em mais de 15 empresas por todo o Brasil. Em 2015, saiu da CCD e ingressou na Planalto Transportes, onde foi motorista por 2 anos e depois, novamente, promovido para instrutor, função que desempenhou por mais 2 anos. Ao ser perguntado sobre o que significa dirigir um ônibus, Marco declarou: “Dirigir um ônibus é sinônimo de liberdade, de prazer, de responsabilidade, de satisfação em dominar uma máquina que pesa toneladas,  mas ao mesmo tempo, conduzi-la como se flutuasse no asfalto.” Quando  indagamos sobre qual a maior dificuldade no desempenho de sua tarefa, ele disse:  “A maior dificuldade na profissão de instrutor é, ainda, a resistência de alguns motoristas quanto à mudança de comportamento, tanto na condução do veículo quanto no tratamento do cliente. Veículos modernos exigem uma condução diferenciada,  para minimizar custos como combustível, freios e pneus. Motorista e sala de aula nunca combinaram tanto como atualmente. É fundamental o conhecimento técnico para otimizar a operação do ônibus nas ruas e estradas. O motorista precisa ter em mente que ele é a parte mais importante de toda empresa. E, que estando na linha de frente, deve tratar o passageiro com atenção, simpatia e respeito, estimulando-o a deixar o seu carro na garagem e optar pelo transporte coletivo.” Embora ele não colecione fotos ou miniaturas, tem muito interesse por imagens e matérias que falem sobre os temas ônibus, motoristas e, sobretudo, treinamento. Dentre as carrocerias com as quais trabalhou (durante seu relato apontou características importantes e fez descrições peculiares e muito relevantes de cada uma), disse que a Neobus  foi uma das mais marcantes devido a traços futuristas no segmento Urbano Ele se identificou muito com o Mega BRT. Seu amor pela profissão e, principalmente, por sua ferramenta de trabalho, fez  Marco comprar um Busscar, modelo  Jum Buss 340, com chassi Mercedes Benz O-371RS, algo almejado por ele desde sempre. Fez esta aquisição há 2 anos. Ele utiliza o veículo para passeio com a família e amigos que compartilham da mesma paixão. “Temos um pequeno grupo aqui em Curitiba que possuem raridades como ônibus FNM, Diplomata 70, Eliziário 66, Diplomata JO e CMA. Já participei com o meu "Mercedão" de duas edições da BBF (BusBrasil Fest), uma Embus e uma Exponi. É um veículo "raiz", com alavancão, volante com um diâmetro enorme, sem WC e sem ar condicionado. Tem um motor de 326 CV! Confesso que sou um "mercedista inveterado”! Como ele mesmo citou, ele participara de duas edições da BBF e lhe perguntamos o que isso significou. Com certo entusiasmo, ele contou: “A BBF é, sem dúvida, o maior encontro de gerações do Brasil. Conhecimentos e histórias são compartilhados. Expositores têm grande visibilidade. Como o próprio nome diz, é uma grande "festa" do ônibus.  É de uma importância enorme para o resgate do transporte de pessoas mais importante do país. É muito prazeroso fazer parte do evento como expositor e visitante. Parabéns a equipe do Portal do Ônibus!” Pedimos a ele que deixasse uma mensagem para o dia do motorista e ele registrou: “Aos profissionais do volante que trafegam diariamente pelas ruas e estradas desse país: não parem no tempo. Busquem conhecimento. Valorizem-se! Sejam boas referências! O mundo agradece! Parabéns pelo nosso dia!”

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João Aparecido de Almeida (Carioca)

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Natural de Caetité (BA), 50 anos, é casado, pai de 3 filhos e avô de 4 netos. Tem Ensino Fundamental incompleto. Começou a trabalhar na roça e, quando veio para São Paulo (cidade onde mora atualmente), iniciou suas atividades como ajudante numa vidraçaria. Depois, trabalhou numa fábrica de colchão (próxima  à viação São Paulo, na zona leste). Em 1994, entrou para esta empresa de ônibus como cobrador e em 2004 foi transferido para a Sambaíba (lembrando que a viação São Paulo já fazia parte do grupo)onde está desde então. Foi em 2008 que ele tornou-se motorista a partir do incentivo de um colega, além da avaliação e da oportunidade dada por um instrutor cujo nome era Luiz Carlos. Segundo João, estas pessoas estimularam e acreditaram na capacidade dele. Quando perguntamos qual a maior dificuldade em dirigir numa metrópole como São Paulo, ele respondeu: “Uma das primeiras dificuldades é o da localização. São Paulo é muito grande (eu vim da zona Leste e trabalho na Norte) então você fica um tanto perdido, mas isto é no início. Mas, bem rápido, você descarta isso. Agora o que não é fácil é o trânsito. É muito trânsito!!! Precisa ter muita paciência! É muita “responsa”, porque você precisa ficar muito atento ao trânsito, ao pedestre, a tudo.”  Apesar das dificuldades inerentes à profissão, João ama o que faz e disse que dirigir um ônibus é um enorme prazer e uma satisfação muito grande. Ele considera muito gratificante poder atender a uma necessidade do cliente. “Existem muitas coisas boas que acontecem num ônibus.  Muitas histórias fazem parte da nossa rotina. A gente acaba fazendo muitas amizades e começa a participar de todas elas”. Ele comentou nunca ter enfrentado uma situação de emergência com passageiro no interior do veículo, no entanto disse estar preparado devido às orientações que já recebeu. Em relação a sua ferramenta de trabalho disse conhecer bastante,  mas que aprende todos os dias, pois cada veículo é um veículo e exige um comportamento, uma postura. João falou com entusiasmo de sua participação na 13ª edição da BusBrasil Fest (BBF); “Eu tive o prazer de conhecer , com a minha família, a última edição e gostei muito, achei ótimo! Acho que deveria ser mais divulgado para que outros colegas pudessem participar também”.  Dentre os veículos que João já dirigiu acha que a carroceria Millennium é uma das melhores com as quais já teve a oportunidade de trabalhar, por tudo o que oferece. Como saudação para o dia do motorista, ele deixou a seguinte mensagem: “O motorista faz parte de uma classe trabalhadora de luta que acorda muito cedo e, às vezes, chega muito tarde em casa, então, um abraço pra todos os meus colegas e vamos comemorar mais um ano de batalha”.

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Ronaldo José Alves

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Natural de São Paulo (capital), 53 anos, é casado, sem filhos, tem o Ensino Médio completo. Mora atualmente em Taboão da Serra. Iniciou sua atividade profissional com caminhão, numa transportadora, fazendo o transporte de cargas em geral e mudanças. Tendo o pai como referência (trabalhou 27 anos na viação Santa Cecília), ingressou para o setor de transporte coletivo e chegou à Pirajuçara onde está  há quase 30 anos. Ronaldo conhece bem sua ferramenta de trabalho e descreve com precisão as características que a compõem. Veja o que ele considera dirigir um ônibus: “Dirigir um ônibus é um grande prazer.  Eu gosto e me faz muito bem. O ônibus é meu escritório, mas não basta só sentar e dirigir, tem que conhecer sua ferramenta de trabalho e zelar, cuidar dela... Importante também respeitar o passageiro, as normas do trânsito, os veículos em geral, os pedestres. Dirigir ônibus é transportar todos com segurança, qualidade e responsabilidade. Precisa ter todo um envolvimento.” Ronaldo coleciona miniaturas e material (fotos, encartes) sobre ônibus. Relatou não encontrar dificuldade no desempenho de sua atividade, porque gosta do ônibus e de dirigir, então,  isso compensa todas as outras coisas. Ele participou da 13ª edição da BusBrasil Fest e além de ter gostado muito pela proposta do evento (reunir ônibus antigos e novos, mostrando a evolução do transporte) por ser a oportunidade de cada um mostrar sua empresa de trabalho , evidenciando suas potencialidades, sua qualidade na prestação do serviço. Ele disse recomendar porque faz as pessoas conhecerem sobre o transporte e os motoristas conhecerem mais sobre sua ferramenta e suas tecnologias.  Quando indagamos sobre uma carroceria que tenha marcado sua trajetória, ele respondeu: “Os carros atuais são todos “top”. Este que estou aqui agora, por exemplo: é muito bom! Mas já dirigi um G7 Volks 17230 e também achei excelente. Dos antigos, o que mais me marcou foi um turbinado 1318 que tinha aqui, nos anos 90. Ele era Ciferal longo, na época era novidade. Ele tinha muita força. Era um espetáculo de ônibus. Carregava muito gente e, naquela  época, tinha muita gente. Se eu pudesse, eu dirigiria ele de novo. Era muito bom!“ Ao ser solicitado que deixasse uma mensagem para as novas gerações que pretendem adentrar para o ramo, ele comentou: “Hoje precisa ter muita paciência com passageiro e com o trânsito, evitar freadas bruscas, evitar a violência pela intolerância das pessoas, evitar de ficar “empurrando os outros”, evitar de andar igual louco no trânsito em virtude de atraso. É necessário cautela, paciência e tranquilidade."

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Claudio Cesar de Souza

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Natural de São Paulo, 50 anos, casado, pai de 3 filhos. Tem nível superior com formação em História, por uma faculdade EAD, há 5 anos, contudo, nunca atuou em sala de aula, embora seu curso seja de licenciatura. Iniciou sua vida profissional no escritório de uma empresa  a qual importava e exportava microcomputadores, como office-boy, primeiramente, mas depois surgiu um convite para o administrativo e ele foi promovido.  Mesmo trabalhando no setor de faturamento, como auxiliar,  nunca desconsiderou o sonho e o incentivo do pai e de um tio próximo de vê-lo como motorista. Ainda criança, Claudio acompanhava o pai,  quando este trabalhava numa empresa de ônibus e enquanto dirigia seu próprio ônibus escolar. Observava como ele operava e cuidava do veículo e isso foi fazendo-o se apaixonar pelo modal e pela profissão. Ingressou para o setor do transporte no segmento rodoviário com a ajuda de uns amigos. Aí permaneceu por 15 anos. Já com uma vasta experiência, enveredou para o segmento urbano, onde está atualmente. É motorista da Metrópole Paulista há 8 anos. Algumas vezes, auxilia no setor de treinamento, como monitor. Embora tenha experiência para trabalhar no setor administrativo, disse nunca ter se sentido atraído pela função. Ressaltou gostar mesmo é do operacional. “É o ônibus que me atrai mais do que qualquer coisa” – destacou. É notória a satisfação de Cláudio por pertencer a esta empresa. “Depois que sai do rodoviário, tive a oportunidade de vir para a Metrópole.  Aqui estou muito feliz e bastante satisfeito com tudo. Os veículos são os mais modernos e possuem a mais alta tecnologia o que já facilita e muito nosso trabalho. Além disso, temos todo apoio e treinamento necessário para conduzir com segurança, eficácia e responsabilidade. É  muito bom fazer parte deste grupo” – comentou. Ao ser questionado sobre o que considera mais difícil no desenvolvimento de sua tarefa, ele respondeu: “O mais complicado é sempre lidar com a diferença. Cada um tem um jeito, uma visão e uma forma de pensar. Mas hoje, por causa da pandemia, nosso passageiro anda meio desconfiado, com medo  e cada um expressa do seu jeito, da sua maneira e isto torna esta questão um pouco mais complicada. Desse modo, só se pode trabalhar, com certa tranquilidade, considerando 3 pilares: ”com  paixão, com comprometimento e com empatia. Estes 3 elementos podem dar ao profissional condições para lidar com os contratempos do cotidiano”. Até o presente momento, alegou nunca ter passado por algo (situação de risco) que não soubesse e não tivesse preparado para lidar (dentro ou fora do veículo). Cláudio disse que adora dirigir um superarticulado por todo conforto, segurança e comodidade que ele oferece. “Dirigir um ônibus e uma atividade muito prazerosa ainda mais com todo o conforto que ele oferece hoje em dia. E aqui na Metrópole é escalado um tipo de veículo para a demanda e as condições da linha. Isso ajuda muito no desempenho profissional e torna a profissão ainda mais prazerosa” – declarou. Quando perguntamos sobre uma carroceria do passado com a qual se identificara, ele mencionou os monoblocos O-362 e O-364 “Quem conheceu, sabe. Coisa linda! Tive contato com um O-362  turbinado; bateu no coração e ficou. Quando senti isso que repensei minha situação no escritório, lembrei de todo o incentivo, do estímulo do meu pai e decidi vir pro mundo do ônibus.”  Ele comentou já ter possuído material sobre o tema ônibus como fotos, recortes, matérias em geral. Mesmo trabalhando e gostando muito de ônibus, Claudio (há 6 anos)  é vice-presidente de MOTOR-IDE BRASIL e possui várias miniaturas e material sobre a história de algumas motos. Pedimos que ele deixasse uma frase para o dia dos motoristas e ele registrou a seguinte: “ O amor, a empatia e o comprometimento são pilares fundamentais para manter acesa a chama do amor e do interesse por qualquer profissão. Sigamos na luta. Parabéns a todos nós!”

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Alex Rubens Tiba Fiori

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Natural de Campinas (SP), 33 anos, é casado, é pai de duas filhas. Tem Ensino Médio completo. Continua morando em sua cidade natal. Iniciou sua vida profissional  aos 20 no telemarketing no setor de telefonia e, depois de uma conversa com o gerente de uma  empresa de ônibus (tinha mencionado sobre seu sonho de ser motorista) começou como cobrador na Itajaí Transportes Coletivo, função que desempenhou por 2 anos.  Neste período, surgiu a oportunidade dele participar de um curso na escolinha de formação de motorista e, após 6 meses,  foi promovido para esta nova função a qual exerceu por mais 2 anos. Em 2012, saiu da Itajaí e entrou para o setor de fretamento. Neste segmento passou pelas empresas Princesa Tecelã, Rápido Luxo Campinas, Campestre, Segantur,  Translima, e há 1 ano e 2 meses está na Confort Bus Transportes Ltda, fazendo fretamento Executivo na rota Campinas –São Paulo , São Paulo-Campinas, num Paradiso G7 1200 MBB O-500RS. É ele quem cuida no sentido amplo do carro de escala como se fosse dele (prática comum no fretamento). Vale destacar que tanto a Translima quanto a Confort Bus prestam serviço para a associação Afrecasp (local com o qual o Alex já está ligado há 3 anos prestando serviço de fretado). Sua paixão por ônibus e especificamente pela viação Garcia, vem desde criança. “Minha paixão por ônibus e pela Garcia caminham mais ou menos juntas. Quando eu era pequeno, eu aguardava ansioso pelas férias de dezembro/janeiro, pois todo final de ano, eu viajava de Campinas (SP) para Ivaiporã (PR), porque meus bisavós moravam lá e eu ia de Garcia. Então,  conforme fui crescendo e entendendo o mundo, fui passando a admirar a profissão dos motoristas e achava o máximo eles dirigindo aquele “bichão “,  o “monstro grandão” que era um ônibus e me dava a maior vontade de fazer aquilo e eu ficava pensando: quando eu crescer, vou ser igual ele. Vou dirigir um negócio desse!!! E foi andando nos ônibus da Garcia que aprendi a gostar desta empresa e de admirar sua frota. Sempre que chegava na rodoviária eu gostava de ficar olhando a chegada e a saída de seus ônibus e isso me fascinava”, comentou.  Alex sempre colecionou fotos e todo tipo de material relacionado ao tema. Quando começou a fotografar ônibus ainda era menor, por isso era acompanhado por sua avó a sra.  Alice Maria de Souza Tiba que ficava todo o tempo com ele nas imediações da rodoviária antiga de Campinas. Embora fosse muito tímido (tinha vergonha de fotografar), garantiu registros importantes do início dos anos 2000 naquela região.  Por meio da internet,  conheceu várias outras pessoas que tinham o mesmo gosto e, conversando pelo MSN ou pelas “listas de ônibus” (grupos que postavam fotos e falavam sobre ônibus), soube de vários encontros que aconteciam em algumas regiões. Participando deles, estreitou seu vínculo com vários outros colecionadores (com alguns dos quais mantêm amizade até hoje).  Isso garantiu, não só a chance do aumento de seu acervo de fotos, como também a possibilidade de conhecer de perto o sistema de transporte de outras regiões. Seu interesse por este assunto  sempre foi grande e, por isso,  durante um bom tempo, fez intercâmbio de fotos e material de ônibus com vários outros colecionadores de diversas regiões de dentro e fora do país. Atualmente,  tem uma página de desenho de ônibus (criada e sustentada por três integrantes, mas atualmente sob a responsabilidade somente do Alex) no facebook cujo nome é AGBus.  Entre 2006 e 2009, ele foi integrante, com outros colecionadores, de um site especializado em material de ônibus – fotos, principalmente – denominado Portal Interbuss. E como o ônibus sempre esteve ligado a sua vida, hoje ele dirige e ama o que faz no fretamento. Segundo ele, ter trocado do urbano para este segmento foi uma de suas  escolhas mais assertivas, devido a toda logística e característica organizacional do setor. Ao ser questionado sobre o que acha mais difícil no desempenho de sua função, ele declarou: “Eu gosto de trabalhar muito mais com fretamento e turismo do que com urbano. Mas, nos dois setores, a coisa que mais acho complicada é a falta de educação por parte dos veículos pequenos, a forma como eles desrespeitam as leis de trânsito, a falta de cordialidade e a imprudência com que alguns operam os veículos. Você é obrigado, o tempo todo, a dirigir por dois, para evitar alguma ocorrência que, embora não tenha sido causada por você, também terá de responder, fora todo o transtorno da situação. Há um outro aspecto também (que chega a ser uma certa dificuldade, porém  com compensação) que é a seguinte: quando se faz turismo, dependendo de para onde se vai, fica alguns dias longe da esposa e das filhas, isso é a dificuldade; mas ela é compensada pelas amizades novas que surgem nas viagens, pelos locais que a gente conhece a cada viagem, e por tudo o que ocorre naquele momento. Como eu gosto muito de viajar, isso acaba minimizando a falta da minha família....”, relatou.  Perguntamos a ele o que significa dirigir um ônibus depois de toda esta conexão com o modal e ele respondeu: “Dirigir um ônibus é ter consciência da responsabilidade de transportar as coisas mais preciosas deste mundo (avós, pais, mães, filhos, amigos...) que buscam se encontrar com os outros bens preciosos que os aguardam chegar. É saber que você abrirá mãos de momentos preciosos de sua vida para garantir que outras pessoas vivam este momento (motorista de turismo ou rodoviário sabe bem o que é isso!).  Mas também  é ter a sensação maravilhosa e inexplicável que só você ali e a estrada sentem e sabe o que significa...É mágico!" De todas as carrocerias com as quais já teve a oportunidade de trabalhar, acha a do Paradiso G6 uma das melhores, devido ao espaço interno  da cabine. Para saudar os outros colegas de trabalho dos mais variados segmentos de transporte, ele deixou a seguinte mensagem:  “Parabéns a todos Motoristas, que abrem mão muitas vezes de estar com sua Família pra cumprir seu dever. Fica aqui meu respeito e admiração a estes heróis sem medalhas. Um forte abraço a todos meus amigos de Profissão e irmãos do Volante. DEUS nos abençoe na rodagem!

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Rivan Alves da Silva

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26 anos, natural de Catolé do Rocha (Paraíba), é solteiro, não tem filhos. Mora atualmente em Santo André, tem Ensino Médio incompleto. Começou sua vida profissional muito cedo (12/13 anos) como ajudante de lava-rápido e depois auxiliar de costura (o que lhe garantiu algumas habilidades muito importantes para a condição de sua vida atual). Tempo depois, entrou no Mc Donald’s como “menor aprendiz”. Quando faltava apenas um mês para terminar seu contrato, após ter feito o curso de PDI (Plano de Desenvolvimento de Instrutor) foi promovido a Instrutor. Trabalhou nesta empresa durante 5 anos. Neste período, surgiram algumas incompatibilidades de posições no gerenciamento e na logística, fatores que foram desaminando seu interesse em permanecer ali. Então, decidiu  enviar currículo para outras, inclusive empresas de ônibus (que era seu objetivo desde o início). Acabou sendo chamado pela  Indústria de móveis Bartira. Assim que recebeu o comunicado, como já vinha insatisfeito com o Mc Donald’s, pediu a conta e saiu para trabalhar na Bartira como auxiliar de produção. Ficou ali apenas três meses, porque recebeu uma proposta da E.A.O.S.A. (Empresa Auto Ônibus Santo André) para trabalhar como lavador de ônibus. Atendeu ao chamado e fez o teste durante 3 dias, à noite. Passou e foi contratado. Como esta era a oportunidade que esperava há tempos, largou a Bartira (ganhando cerca de R$ 1280,00, com direito à cesta básica, ônibus fretado, trabalhando de 2ª a 6ª F) para ser lavador (ganhando R$ 745,00 + ticket alimentação e convênio médico, com apenas um dia alternado de folga) e não se importou com isso, porque havia outros propósitos nesta sua atitude. Iniciou sua nova atividade na viação Barão de Mauá (depois Cidade de Mauá). Seis meses depois, passou a ser ajudante de funileiro, depois voltou a lavador, foi deslocado para o abastecimento, fez “maluco” de cobrador, foi para a manobra (ficou 2 anos e meio nesta função) e, finalmente, tornou-se motorista. “Desde que me conheço por gente, eu queria ser motorista de ônibus. Não me via fazendo outra coisa tão bem quanto eu faria esta se tivesse a oportunidade. Foi acompanhando meu pai  (in memorian), quando ele era motorista de ônibus da Ribeirão Pires, que minha paixão por ônibus nasceu e foi aumentando a cada dia. Meu pai sempre foi minha referência no volante. Aprendi muito com ele olhando o que e como fazia.” Rivan, operou nas linhas da EAOSA por poucos dias (pela demora na oportunidade de “ir para a roda” já havia entregado currículo pra motorista numa empresa de ônibus de Santo André que não demorou a contatá-lo). Atualmente, ele é motorista da viação Guaianazes de Transportes Ltda, há 3 anos e meio. Começou como operador de micro e hoje dirige um veículo convencional (Caio Apache VIP IV, prefixo 128 – o 1º carro repintado de “beija-flor” que já pertencia à frota). “Dirigir pra mim é uma arte... o ônibus é como se fosse meu segundo lar. Eu fico mais tempo nele que na minha própria casa, por isso cuido dele como se fosse meu. Todo dia eu passo silicone no painel, lavo para-brisa, coloco adereços, faço as adaptações necessárias (pra “dar minha cara” pro veículo) e pra me sentir o mais confortável possível durante o dia. Eu gosto tanto de ônibus que chego a pedir autorização pra valorizá-lo ainda mais. Esse comentário se deve, entre outros itens,  a para-barro colocado por ele e por seu parceiro (mediante autorização da gerência)no veículo. E não para por aí: “Meu carinho por este carro (128) é tão grande que mandei imprimir fotos que fiz  dele pra colocar na máscara de proteção que uso durante toda a operação”.  Mas, como todas as profissões, conduzir um ônibus também tem lá suas dificuldades. “Eu considero como maior dificuldade da minha profissão, este sistema de uso de cartão da cidade. Os cartões de idoso e de estudantes demoram muito pra passar e isso acaba atrasando o lado da gente. Fora o cartão, tem também a questão do trânsito, na época normal...” Enquanto cedia a entrevista,  era impossível não notar o sentimento que ele tem pelo veículo e pela profissão. Apesar de não ter uma experiência tão vasta com carrocerias, considera o Caio Apche VIP umas das melhores que já conduziu. Ao ser solicitado para que deixasse uma frase para saudar os motoristas, ele pediu para publicar a seguinte: “Escolha um trabalho de que gostes e não terás que trabalhar nenhum dia em sua vida”.

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A equipe do Portal do Ônibus se sente lisonjeada e agradece a todos os profissionais que nos permitiram compartilhar suas trajetórias de vida e suas experiências no setor do transporte. Sem dúvida, são relatos bastante enriquecedores e que nos fazem enxergar para além da atividade desenvolvida. E para que vocês sintam a nossa admiração pelo trabalho de vocês, segue aqui nossa homenagem a partir de termos de seu cotidiano.

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Também deixamos nossa homenagem a todos aqueles que trabalham nos bastidores auxiliando os motoristas, como o cobrador, coordenadores, supervisores, gerentes, etc.

O volante indica o caminho, fazendo as curvas necessárias para desviar dos obstáculos. Há consciência de que numa ou noutra troca de marcha, pode-se acelerar o ritmo. Importante estar atento aos radares pelo caminho, tentando limitar a atuação, mas não desanime. Passado este trecho, o comando está de novo em suas mãos. Vale destacar que a direção é mais importante que a velocidade, portanto, de vez em quando precisa parar num ponto e abrir as portas da reflexão para que as ideias circulem pelo interior, a fim de que se misturem, se desloquem e nos coloquem novamente no itinerário, sinalizado desde a origem da linha. Ainda que o caminho pareça sinuoso, siga em frente, pois sua rota já está traçada, e há um destino específico onde se precisa chegar: à plataforma do sucesso!

Parabéns a todos vocês motoristas de ônibus e também a todos dos outros setores. Sucesso sempre! Mais uma vez, muito obrigado!

Forte abraço!