História do Transporte: A Arte da Reconstrução

Curiosidade
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Vocês estão habituados a acessar o Portal do ônibus e ler textos sobre os eventos promovidos por ele, seja a BBT (BusBrasil Tour- evento com número limitado de pessoas para visita em garagem a fim de conhecer sua rotina operacional ou para um passeio por pontos específicos da cidade com determinado veículo) ou BBF (BusBrasil Fest – exposição de ônibus antigos e novos destinada ao público em geral, cujo objetivo é mostrar a evolução do transporte). Cada um destes eventos tem suas peculiaridades bem como suas finalidades específicas. Entretanto, tanto em um quanto no outro, o cerne temático é o mesmo: o ônibus.

 Texto: Dorival Nunes Bezerra

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Para colecionadores, pesquisadores, entusiastas, busólogos e alguns motoristas um ônibus não é apenas um meio de transporte. Ele é e representa muito mais que isso. Falar e/ou pensar um ônibus para este público é resgatar parte não só de sua história, mas também do desenvolvimento social, econômico e político de toda uma região. É observar e apontar toda evolução tecnológica pela qual passou este veículo tão importante na vida de qualquer cidadão. Sim, importante para qualquer cidadão, pois é um elemento tão intrínseco da cidade que parece misturar-se e fazer parte de sua paisagem. E além de sua origem etimológica significar “para todos”, sua ideia de movimento e deslocamento é tão inerente que você consegue ler a frase “subi no ônibus “ de trás pra frente e de frente pra trás.

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Por mais que você não se importe com sua existência, tenha certeza: por algum motivo, ele estará presente em suas reminiscências.

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E falando em paisagem, houve um tempo em que cada empresa tinha sua identidade visual particular (sua pintura própria) ou, mesmo em meio à padronização (quando parcial, ou seja, mantinha mesmo layout, todavia dava opções de cores) uma cor predominante a qual servia como identificação. 

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 “O tempo não para” - já cantava o grande Cazuza - e com ele também não cessam as transformações. Cada novo presente traz novas exigências, novas necessidades, novas tendências e, por conseguinte, exigem novas adequações. Novas adequações prescindem de novas práticas e, infelizmente, há casos nos quais se desconsideram ações importantes e eficientes desenvolvidas, com sucesso, até o momento daquela mudança. Porém, é retornando ao passado onde podemos avaliar os processos e progressos de uma civilização. 

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No caso do ônibus, não é diferente. Para conhecermos um pouco de sua trajetória, precisamos nos remeter a arquivos históricos, livros sobre o tema (parcos, diga-se de passagem), fotos, revistas, catálogos para citar alguns. Depois do advento da internet (sobretudo a partir de início deste século), ficou muito mais fácil encontrar fotos distribuídas em uma série de sites, blogs, páginas de mídias sociais. É possível encontrar verdadeiras relíquias de modelos e empresas (muitas delas já extintas).

Sem dúvida a foto é uma das mais importantes formas de registros e colabora para o resgate de momentos importantes de uma determinada época. No entanto, no caso do ônibus, há outras formas tão brilhantes quanto esta. Desde 2001, a BusBrasil Fest exibe em suas exposições verdadeiras relíquias guardadas e conservadas por aficcionados por determinados modelos e/ou empresas. Apesar de toda a modernidade expressa nos modelos atuais, o charme, a elegância, a sutileza de detalhes (quase artesanais) faz a cabeça do público que sempre recorre ao clássico para um deleite maior. O sucesso destes veículos é tão grande que em maio de 2004 houve uma BBF intitulada BusBrasil Fest Edição Especial Antigos. Nas exposições BusBrasil Fest você pode visitar e apreciar de perto vários destes modelos.

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Outra maneira espetacular também de reviver a história do transporte é através de desenhos de ônibus encontrados em sites especializados sobre o tema. É fácil encontrá-los separados por regiões, por modelos de carrocerias, por épocas, representando particularidades de pinturas ou sistemas padronizados de décadas. É possível relembrar os mais variados layouts ostentados por diversas empresas em um dado período da história.  Estes sites fazem você viajar com eles pelo tempo, ativando memórias, cheiros, sensações, lembranças boas de um tempo ao qual não podemos retroceder, faz rever carrocerias que talvez alguém nem se lembre com tanta propriedade, mas, ao vir, certamente pensará ”eu me lembro deste ônibus; eu me lembro desta pintura”.

 

 

 

 

Além destas três formas, pode-se ainda resgatar e apreciar a história do transporte em um espaço fechado: é através da coleção de miniaturas. Já foram apresentadas matérias em cujo tema era inclusive exposição de miniaturas. Um dos membros do Portal do Ônibus (Dorival) fez uma em sua cidade de origem (Santo André) para ilustrar a comemoração do aniversário do município, expondo as principais empresas que atuaram na região (com ênfase nos anos 70, 80 e 90). A proposta inicial da exposição era para 30 dias, mas acabou durando 45 (de abril a maio de 2013), tamanho o sucesso, o interesse e as histórias que os onibusinhos despertaram nos visitantes do espaço, pois com 10 miniaturas se contou parte da história do transporte da cidade.

Mas de onde vêm estas miniaturas que encantam tanto a crianças e adultos? O Portal do Ônibus conversou com uma das inúmeras pessoas que confecciona miniaturas de ônibus e cujo trabalho acaba resgatando o passado de várias épocas. Uma destas pessoas é o senhor Nelson Custódio Modesto, 66 anos, casado, morador do Jd. Santo Antônio, em Santo André. Ele fabrica miniaturas de ônibus (urbanos e rodoviários) há quase 20 anos. Segue entrevista com Nelson para conhecermos um pouco de sua trajetória e de seu trabalho. Também há um vídeo mostrando algumas de suas produções ao longo destes anos.

O Portal do Ônibus parabeniza e agradece muitíssimo ao s Nelson por ter aberto as portas de sua oficina para mostrar um pouco deste trabalho tão importante no resgate da história do transporte.