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Você Sabe Andar de Ônibus em São Paulo? – Parte III

Linhas e serviços de atendimento: um sistema em constante mudança.

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Caros leitores dos canais Portal do Ônibus, seguimos com a série de artigos “Você sabe andar de ônibus em São Paulo?”, com sua terceira parte. Não menos importante que os demais assuntos outrora tratados, hoje falaremos sobre os serviços de atendimento atrelados às linhas de ônibus da capital.

Nos artigos anteriores, falamos sobre a criação do sistema métrico, a padronização das operações, as mudanças de sistema estruturado perante administrações e visões de transporte diversas, e agora falaremos sobre uma “novidade”  que surgiu nas placas de identificação das linhas do sistema Municipalizado (anos 90), e persistiu durante a duração do Interligado até os dias atuais. Trata-se de um número complementar, em sua maioria um “10”, que vem logo abaixo do número da linha. Esse número identifica seu atendimento, e pode variar. Discorreremos melhor abaixo.

O sistema de transporte em São Paulo é complexo. Muito se deve à constante expansão demográfica e geográfica da cidade. Especialmente nos anos 90, muitos bairros surgiram onde antes eram descampados e vilas. Maioria nas periferias da cidade onde já havia linhas operando. Essas linhas, pensadas em 1978 (conforme artigos anteriores), tinham planejamento geográfico e matemático baseados na necessidade de sua época de concepção. Tendo em vista esse crescimento desordenado, as gestoras que administraram o transporte em São Paulo viram-se na necessidade de criar alternativas às crescentes demandas advindas da periferia. Porém, é totalmente inviável alterar constantemente o sistema numérico de identificação de linhas de ônibus sempre que surge um novo bairro. Por conta disso, foram criados os “sufixos de atendimento”. Esses sufixos tinham como principal finalidade identificar ao usuário se a linha em questão estava sendo operada em sua totalidade de itinerário, ou se havia alguma alteração devido à alguma necessidade operacional, seja ela de demanda ou de abertura geográfica. Tendo em vista isso, foram criados os seguintes sufixos de atendimento:

-10: Linha Base;

-21 à 29: Linha de retorno;

-31 à 39: Linha Derivação;

-41 à 49: Linha Bifurcação;

-51 à 59: Linha Prolongamento.

Vamos explicar melhor:

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Uma linha de ônibus em São Paulo sempre terá um número, e esse número seguirá obrigatoriamente aquele esquema métrico explicado na matéria anterior. Após esse número, que nunca mudará, essa linha ganha o sufixo de atendimento “/10”, que identifica essa linha como linha base ou linha principal. Logo, é preciso e correto dizer que toda linha regular em São Paulo vai receber o sufixo “/10” após seu final. Vamos tomar a 2666/10 – Jardim Camargo Velho-Term. Pq. Dom Pedro II. Sua linha operada como base, recebe o sufixo “/10”. Porém devido à alta demanda nos horários de pico, foi criado um atendimento chamado 2666/21 – Jardim Camargo Velho-Term. Pq. Dom Pedro II, que faz o mesmo itinerário da linha original, porém ela cria um “reforço” operacional no horário de pico, caracterizando como linha “retorno”, e ganhando assim o “/21” no lugar do “/10”. Vale lembrar que a operação dos serviços de atendimento não interferem na operação da linha base, que segue normalmente. Outro bom exemplo é a linha 2552/10 – Vila Mara-Term. Pq. Dom Pedro II, que no horário de pico da tarde ganha o atendimento 2552/41 – Jardim São Martinho/Term. Pq. Dom Pedro II, que possui itinerário parecido com a linha base, mas tem ponto inicial em bairro paralelo à Vila Mara, com a mesma distancia aproximada de operação, e possui o mesmo ponto final. Isso caracteriza a linha como uma bifurcação, fazendo ganhar o sufixo “/41”.

Abaixo vamos detalhar cada série de sufixo.

-/10: Linha Base

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A linha base caracteriza-se por ser a linha principal daquele trajeto. Ela pode possuir atendimento ou não, porém cumpre regularmente seus horários pré-estabelecidos. Não é errado afirmar que todas as linhas regulares diurnas e noturnas concebidas nos anos 70, 80 e 90 em São Paulo possuíam sufixo “/10”. Algumas variações poderiam ocorrer nesse sufixo, em caso de operação compartilhada de uma linha base. Um exemplo é a linha 6451/10, que era operada pela Viação Campo Belo, e a 6451/01, que tinha o mesmo itinerário, mas era operada pela TransKuba. Os atendimentos também possuíam essa “inversão” do sufixo em caso de operação compartilhada. A linha 637A/10 – Jardim Angela/Pinheiros era operada pela Viação Capela. O que seria seu serviço de atendimento, a 637A/31 – Jardim Angela/Pinheiros Via Berrini, como era operada por outra companhia (A.V. Jurema), teve seu sufixo invertido para “/13”, ficando 637A/13.

-/21 à /29: Linha retorno.

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A linha retorno era um atendimento que se caracterizava por ser uma linha com itinerário idêntico, porém que fazia um “retorno” em meio ao mesmo, podendo ser com horário integral (operação o dia todo) ou apenas no horário de pico, e esse retorno poderia ser no sentido Bairro/Centro ou Centro/Bairro. Exemplo é a própria 637A/21, que saia da Vila Remo e 637A/22, que saia da Piraporinha, ambos os bairros além do Jardim Angela, até Pinheiros. Esses dois atendimentos operavam apenas no período da manhã, auxiliando em demanda e abrangência a linha base.

-/31 à 39: Linha Derivação.

A linha Derivação é mais simples de entender na teoria. É uma linha que possui mesmo ponto final e inicial, mas seu itinerário possui alguma alteração, podendo ser parcial ou total. Geralmente, o /31 era uma espécie de abreviação do itinerário, para gerar viagens mais rápidas em horários de pico. Geralmente, porque não era regra. Alguns desses atendimentos operavam o dia todo. Um exemplo é a 3391/10 Term. São Matheus/Term.Pq. Dom Pedro II, que em seu itinerário percorria a Av. Dr. Luis Ignácio de Anhaia Melo, e depois a Av. do Estado até o centro, porém devido à congestionamentos constantes nesse trecho em determinados horários, criou-se a 3391/31 Term. São Matheus/ Term. Pq. Dom Pedro II, que tinha seu itinerário baseado na Av. Arno, como se fosse um corte do transito da linha principal. Vale reforçar que mesmo assim a linha base seguia operando em conjunto com seu atendimento, que tinha como finalidade ajudar a operação e não substituir. A principal intenção do atendimento /31 à /39 é diminuir o tempo de interligação de 2 pontos.

-/41 à /49: Linha Bifurcação:

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A linha bifurcação é uma das mais complexas para se entender, principalmente se o caro leitor não tiver conhecimento aprofundado da geografia paulistana. Nessa linha, obrigatoriamente o ponto final ou inicial tem de ser o mesmo da linha base, porém o outro ponto tem de ser diferente, gerando bifurcação, mas não pode haver prolongamento considerável no percurso da linha. Um exemplo é a 6004/10 Guavirutuba/Term. Santo Amaro, que possuía um serviço denominado 6004/41 Jardim Alfredo/ Terminal Santo Amaro, que funcionava no pico da manhã e outro serviço denominado 6004/42 Jardim São Francisco/ Term. Santo Amaro, que funcionava em ambos os horários de pico. Essas duas linhas tem em comum o mesmo ponto final, bifurcação de itinerário nas proximidades do ponto inicial e ponto inicial em bairros próximos da linha base. A linha pode ser sempre perpendicular ao seu ponto final ou inicial, mas nunca prolonga-los, senão entraria em outra classificação de serviço.

-/51 à /59: Linha Prolongamento:

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A Linha prolongamento tem um nome bem intuitivo para entendimento. Trata-se de um prolongamento da linha base, podendo ser tanto no ponto inicial como no final, porém tem de possuir rigorosamente o mesmo itinerário da linha base até o ponto de prolongamento. A partir dali, a linha segue abrangendo outro bairro. Um exemplo bom é a linha 2726/10 Limoeiro/Metrô Penha, que possuía o serviço 2726/51 Vila Verde/Metrô Penha, e seguia rigorosamente o mesmo itinerário até o ponto inicial no Limoeiro. Dali a frente ele seguia mais dois bairros até a Vila Verde. Um exemplo de prolongamento de linha no ponto final é a 6079/10 Ilha do Bororé/ Santo Amaro e seu serviço em horário de pico da manhã, que era o 6079/51 Ilha do Bororé/ Anhangabaú. Ela seguia o itinerário da linha base completo e a rigor até Santo Amaro, seguindo dali até o centro.

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É importante ressaltar que muitas exceções acabaram acontecendo no meio de tantas mudanças e confusões. Um bom exemplo é a 271A/51, que liga o Cangaíba ao Metrô Santana. Sua “Linha Base”, 271A/10 Term. Penha/ Metrô Santana, possui itinerário 60% adverso ao seu serviço, o que faria com que o serviço tornar-se-ia uma nova linha, porém nunca foi dada nova nomenclatura a ela. Outro bom exemplo é o recém criado serviço Noturno, que possui sufixo /11, sem nenhum motivo técnico especial (vale ressaltar que o sistema noturno possui método numérico totalmente diferente, o que descaracteriza o uso de sufixo de serviço, tendo em vista que é outro sistema, que muitas vezes opera em paralelo com linhas diurnas regulares que terminam seu serviço de madrugada ou nem terminam).

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Nos próximos artigos iremos discorrer sobre as confusões e descaracterizações geradas no Sistema Interligado, um sistema numérico de transição que está sendo usado atualmente e as novas métricas de nomenclatura, que devem ser instauradas nesse novo sistema de transporte licitado, aguardada ansiosamente e com um pouco de desconfiança dos usuários do sistema. Falaremos também sobre cortes e seccionamentos de linhas, muitos efetuados sem estudo prévio e os impactos do Bilhete único nisso tudo.

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